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Erupção do Vulcão dos Capelinhos

Na madrugada do dia 27 de Setembro de 1957, com a terra balançando continuadamente, os "vigias da baleia" do Costado da Nau, a escassos metros acima do Farol dos Capelinhos, notaram o oceano revolto a meia milha da costa, para os lados de oeste. Assustados, desceram ao farol, alertaram os faroleiros e os seus companheiros de baleação no porto do Comprido. Não era baleia, nem cachalote nem outro bicho qualquer – o mar entrava em ebulição e havia cheiros fétidos! – é assim que descreve  o início do vulcão dos Capelinhos, o vulcanólogo açoriano, Vitor Hugo Forjaz. 

Do ponto de vista científico, o vulcão dos Capelinhos é uma jóia da vulcanologia por ser o único no mundo a ser fotografado, filmado, observado, estudado e interpretado desde o início até ao seu adormecimento, período que durou 13 meses.

O impacto deste fenómeno foi tão grande que chegaram à ilha jornalistas, fotógrafos, cientistas e vulcanólogos nacionais e estrangeiros, entre eles Haroun Tazief. 

A então jovem Rádio Televisão Portuguesa faz, nos Capelinhos, a primeira reportagem de exterior da sua história e a “Paris Match” e a “ National Geographic Magazine” entre outras publicações, enchem páginas e divulgam pelo mundo o nome dos Açores, da ilha do Faial e do vulcão dos capelinhos. 

Do ponto de vista humano e social, este incrível fenómeno da natureza veio mudar a vida da população. Para além dos sismos constantes, que se fizeram sentir durante mais de um ano, os campos agrícolas ficaram soterrados pelas areias e cinzas expelidas e as habitações das imediações ruíram com o seu peso. Famílias inteiras perderam os seus bens e o seu sustento. Este episódio da vida faialense irá provocar a breve trecho, um êxodo migratório para os Estados Unidos da América facilitado pela proposta de lei do então senador John Fitgerald Kennedy no Congresso Norte Americano, conhecida como “ 1958 Azorean Refugee Act” e através da qual se autorizava a imigração de todas as famílias afetadas. Emigraram então cerca de 15.000 pessoas, ficando a população reduzida a quase metade. 

Mas para muitos foi o virar de uma página de vida dura e pouco auspiciosa. A emigração proporcionou-lhes um novo mundo a explorar, novas profissões e outra qualidade de vida. As gerações mais novas cresceram e estudaram vindo muitos deles a ocupar cargos com distinção na vida social, académica e politica neste país de acolhimento. 

Mais de 50 anos passados, o Vulcão dos Capelinhos, que fez surgir o “pedaço” de terra mais jovem de Portugal é um verdadeiro ex-libris dos Açores, mencionado em todos os guias turísticos como local a visitar não só pela impressionante paisagem que proporciona como pela importância cultural e cientifica do Centro de Interpretação ali edificado.